Compositor: Toninho Geraes, Paulo César Feital, Juca, Eli Penteado, Alexandre Fernandes, Juninho Luang, Víctor do Chapéu
Voa águia
Desce nos braços do povo
Na travessia dos morros
No manto azul das manhãs
O Sol, que alumia o destino, cobre todos nós
Bendita esquina onde Oxalufã
Humanizou sua voz
Negra obra prima, emissão divina
Encarnou nas Minas, lâmina de amor
Aura incandescente, arrastando gente
Que sente a alma do compositor
À luz do luar, lá vem romaria
O doce cantar, Maria, Maria
Repleto de chão, da terra no cio
Feito ouro aluvião, bateiando uma canção
Veio à beira do rio
Único, sopro sagrado, solfejo da América
Acorde miscigenado e olhos de África
Do lado esquerdo do peito, as notas e a métrica
Arrebatando poetas, compondo por mágica
Enquanto um coração de estudante bater
Seu canto, bituca, é pra nunca esquecer
O que será que seria o Brasil sem você?
No morro velho chega a Portela
Se fez a poesia, sacramento
Já dizia Elis: Se Deus tivesse voz
Seria a voz de Milton Nascimento
O meu samba é oratório
Que Sebastião clareia
Mil tons geniais, e os tambores das gerais
Na escola de Candeia